Os namorados...

17-10-2014 20:27

 

Estava na fila do supermercado quando fui abordada por uma senhora na sequência de ter deixado passar o marido que só tinha 2 coisas para pagar enquanto que eu tinha um IMENSO carrinho.

 

A senhora disse-me: “eu conheço-a!” eu fiquei perplexa pois não reconheci a senhora e por mais que me esforçasse só aparecia “um branco na minha cabeça”- Memofante, estou a precisar!

Então a senhora facilitou-me a vida:

- Como é que se chama?, eu lá lhe disse o meu nome.

- Você foi namorada do meu filho! Continua na mesma, só está mais magrinha!

Ai! Foi como se levasse um murro no estômago, revi mentalmente os meus ex e não me ocorria nenhum que conhecesse a mãe, nem me lembro de estar mais gorda do que sou agora!

 

- O Gigi, não se lembra? – Credo! É claro que me lembro dessa peste, ia destruindo a minha vida! Mas como é que me esqueci da mãe dele? Ela estava SEMPRE presente! Se calhar foi por isso que a esqueci!

- Gostava tanto de si, dava-me presentes tão bonitos! E você continua tão bonita! – É que nunca pensei ouvir isto da D. Mena, sempre pensei que ela não gostava de mim, ela estava sempre a reclamar, a controlar o filho, com medo que eu o levasse por maus caminhos! Como todas as mães.

 

Elogios, mais elogios e eu comecei a recordar que até gostava dela, o filho é que a achava uma chata, mas hoje, depois de ser mãe até a compreendo, nós temos tanto medo de perder os nossos filhos! E fiquei contente por ela gostar de mim de sobretudo por eu  ter descoberto  isso após 15 anos.

 

Este episódio levou-me a recordar a minha vida e descobri que conheci todas as mães de todos os meus namorados e que de facto elas até gostavam de mim, os filhos é que não gostavam muito que elas se metessem nas vidas deles. E então descobri que todos os meus ex-namorados eram “meninos da mamã”. Por isso é que ao fim de um certo tempo me fartava deles, porque eles procuravam em mim uma continuação do colinho da mamã, mesmo que não o admitissem. E em abono da verdade, princípio até lhes dava, porque no principio tudo tem graça e até “limpamos as patas às galinhas” mas depois de algum tempo chateia!

Namorar é como ter um carro novo, ao principio temos muitos cuidados, cheira a novo, tem muitas novidades, é um desafio. Depois de algum tempo habituamo-nos a ele  e começa a fazer parte da nossa vida, já o conduzimos sem nos aperceber, depois de alguns anos começa a fazer barulhos e a dar problemas mecânicos ou outros e só pensamos em trocá-lo. Quando finalmente o conseguimos vender o melhor é deixá-lo logo porque os períodos de espera são angustiantes, começamos a sentir saudades dele, a recordar tudo o que passámos juntos, o conforto que nos dá e é um sarilho. O melhor é trocar logo por um novo e voltar a repetir o processo de adaptação. O pior é quando o carro novo trás “extras” que não dominamos, como o cruise control ou o GPS, o período de adaptação é  muito stressante.

E ainda pior é quando o carro trás alguma avaria desconhecida, especialmente quando já é usado. Neste caso o melhor é trocar quando ainda está na garantia…

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